Fundamentação
A reflexão sobre o projeto Museu da Terra Norte do Paraná perpassa pela velha dicotomia geográfica
em definir o objeto como pertencente à geografia física, e, de fato, ao meio ambiente ou pertencente à
análise de uma geografia humana, uma vez que os processos de formação sócio-espacial,
independente da estrutura geológica e geoambiental estão relacionados ao homem. Pelo próprio nome
e pelas próprias intenções, já é possível imaginar que os materiais que serão apresentados para
a produção e ampliação do conhecimento estão relacionados aos fatores condizentes ao solo,
daí a necessidade de conhecimento pedológico, edafológico e até geológico. O conhecimento
pedológico estuda a formação do solo em todas as suas camadas, a partir da formação da rocha,
na busca pela sua conservação e manutenção. O conhecimento edafológico estuda, no âmbito da
Agronomia, os solos na perspectiva dos nutrientes e das potencialidades.
Considera-se que é de fundamental importância a parte humanística da formação sócio-espacial
e de toda a produção do espaço no Norte do Paraná, que também carecem de entendimento e
compreensão, não só no âmbito geográfico, mas também da antropologia, sociologia, filosofia,
línguas e outras áreas, cuja possibilidade de aprendizagem amplia grandemente, numa perspectiva
interdisciplinar. Por isso, reitera-se a opção de um referencial que se baseie no processo de
formação bem como no entendimento de um processo recente que gerou grande metamorfose e
mudou drasticamente a paisagem regional.
O mapeamento das potencialidades do solo demonstra que o Norte e o Oeste do Paraná possuem tais
solos férteis, caracterizados por Latossolos e Nitossolos, em regiões com grande quantidade de
mananciais e rede de drenagem abundante, o que permite que autores relacionem o Paraná, sobretudo
em livros didáticos, como o celeiro nacional, tanto pela quantidade de produção de grãos anuais,
quanto pela diversidade desta produção.
Estes elementos são carentes de estudos constantes que contribuam para os ambientes de pesquisas e
para os gabinetes de planejamento territorial, urbano e regional, mas, a fim de sistematizar e diponibilizar
cientificamente esses saberes, de forma que efetivamente contribua com a aquisição de registros e
materiais que viabilizem o ensino e a aprendizagem, é que se apresenta a presente proposta.
A proposta metodológica fundamenta-se no princípio de que a contemporaneidade, também
alcunhada de "era digital", oferece algumas especificidades, muitas vezes negligenciada no
processo de ensino-aprendizagem, concernente ao perfil do público aprendente. Segundo Santaella
(2004), hodiernamente, esse público "multilinear, multisequencial e labiríntico", já não se quer
aprendendo abstrata e passivamente; como leitores "imersivos e virtuais" do mundo, é preciso pô-los em contato com esse mesmo mundo, não fragmentário, não compartimentado, mas como um
todo significativo, desde que numa perspectiva científica. Nesse sentido, a presente proposta está para
ir ao encontro dessas expectativas contemporâneas.

